Capítulo 5 — Segredos

POV: Aurora

O Projeto Fênix não era um plano completo, mas uma coleção de ameaças organizadas. Havia fotografias dos oficiais dos Renegados, horários de troca da guarda, mapas das empresas e registros de pagamentos feitos a nomes codificados. O arquivo mais recente continha uma lista de alvos: Ghost, Marco, Caio, Sofia e, por último, Aurora.

Ela ficou diante do painel da sala de guerra enquanto os outros discutiam. Ver seu rosto entre pessoas que viviam cercadas por armas produziu uma calma estranha. O medo era pior quando não tinha contornos. Agora havia datas, setas e números; Aurora sabia trabalhar com números.

— As iniciais C.F. não identificam uma pessoa — afirmou Aurora. — São “contas-fantasma”. Meu pai usava esse termo para pagamentos temporários que desapareciam depois de três transferências. Se seguirmos apenas o destinatário final, chegaremos a laranjas. Precisamos procurar o ponto em que os valores foram divididos.

Ledger folheou as planilhas.

Ledger voltou a se manifestar:

— Essa divisão pode ter ocorrido fora do nosso sistema.

— Não ocorreu — respondeu Aurora. — Veja estes centavos repetidos: quarenta e sete, depois treze, depois oitenta e nove. Meu pai usava os centavos como marcação para indicar a ordem. Ele queria poder reconstruir o caminho caso o parceiro tentasse enganá-lo.

Sofia aproximou três extratos.

— Ela está certa. Quarenta e sete aparece na Vértice, treze numa empresa de segurança e oitenta e nove numa oficina de fachada.

Caio lançou um olhar duro para Ledger.

— Como nosso tesoureiro não viu isso?

Enzo retirou os óculos e limpou as lentes.

Ledger voltou a se manifestar:

— Porque administro doze empresas, folha de pagamento e impostos, não os hábitos supersticiosos de Rafael Valente. Se deseja me acusar, faça isso na mesa.

— Chega — disse Ghost. — Sofia e Aurora rastreiam os valores. Ledger entrega os acessos e permanece disponível. Marco revisa a segurança. Caio vai comigo ao depósito da zona norte.

— Eu também vou — declarou Aurora.

Ghost voltou os olhos para ela.

— Não.

— O endereço estava nos documentos do meu pai. Posso reconhecer arquivos, códigos e pessoas que vocês não conhecem.

Ghost retomou o ponto com objetividade:

— Também é um alvo identificado.

— Ficar dentro do clube não impediu que um homem chegasse ao escritório nem que incendiassem o galpão. Se quer minha ajuda, pare de tratá-la como útil apenas quando estou sentada.

Marco olhou para Ghost.

— Leve Sofia na caminhonete blindada com ela. Caio e eu abrimos o caminho. É um risco controlável.

Ghost parecia disposto a discutir até o inverno, mas assentiu.

O depósito era um prédio de tijolos entre ferros-velhos. Por dentro, estava vazio, exceto por uma mesa, uma impressora queimada e um armário com pastas. Aurora reconheceu a letra do pai em etiquetas de datas. Encontrou também uma caixa com objetos pessoais: o relógio dele, duas camisas e um frasco de remédio para o coração.

— Ele esteve aqui — disse, segurando o relógio. — Meu pai jamais o tirava.

Ghost aproximou-se.

— Pode ter deixado de propósito.

— Eu sei. É isso que torna pior. Tudo com ele era afeto ou manipulação, e às vezes era ambos.

Sofia chamou do outro lado do depósito. Atrás de uma divisória falsa, havia fotografias antigas dos Corvos de Ferro e uma gravação em fita digital. Aurora apertou o botão.

A voz de Rafael encheu o espaço:

— Se está ouvindo isto, alguém chegou mais longe do que deveria. O dinheiro nunca foi o objetivo, apenas o combustível. Os Renegados precisam cair por dentro antes que os Corvos possam renascer. Dante Moretti acredita que matou a guerra com homens, mas guerras são ideias, e ideias aprendem a esperar.

A gravação terminou. Ghost permaneceu tão imóvel que parecia esculpido.

Aurora não conseguiu defendê-lo nem odiá-lo. Apenas perguntou:

— Por que meu pai faria isso com vocês?

— Talvez não seja o único falando — respondeu Ghost. — A gravação pode ter sido feita sob ameaça.

Caio encontrou uma fotografia de Rafael ao lado de Silas Rocha, presidente dos Abutres, e de um terceiro homem cujo rosto fora riscado.

Antes que pudessem procurar mais, sirenes se aproximaram. Marco verificou a janela.

— Polícia. Três viaturas e uma equipe tática. Alguém denunciou armas e reféns.

— Há armas registradas nos veículos, mas este local não é nosso — disse Sofia. — Se formos detidos, o clube fica sem metade da liderança.

Aurora abriu a pasta do pai e encontrou uma escritura.

— O depósito pertence à minha consultoria. Legalmente, sou a proprietária. Guardem as armas no compartimento da caminhonete e deixem que eu fale.

Ghost segurou o braço dela antes que saísse.

— Se algo der errado, não tente nos proteger.

— Não estou protegendo vocês. Estou protegendo a chance de descobrir por que meu pai planejou a morte de todos nós.

Ela recebeu os policiais com a escritura, a carteira da Ordem de Isadora por videochamada e uma explicação sobre invasão de propriedade. Quando o comandante perguntou pelos homens de colete, Aurora respondeu com serenidade:

— São seguranças contratados depois de um atentado contra minha residência. Se pretende revistá-los ou entrar sem meu consentimento, minha advogada solicita que apresente um mandado.

As viaturas foram embora vinte minutos depois. Caio a encarou como se a visse pela primeira vez.

— Você mentiu para uma equipe tática sem piscar.

— Eu disse verdades cuidadosamente escolhidas. Advogados cobram caro para ensinar isso, mas Isadora me dá desconto.

Ghost não sorriu. Ele observava um envelope encontrado sob a impressora. Dentro havia uma cópia da certidão de óbito da mãe de Aurora e um laudo médico mostrando que ela não morrera apenas de câncer. A dose fatal de analgésico fora administrada por alguém.

No rodapé, Rafael escrevera: “Dante conhece o homem

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