O sol nascia tímido por entre as janelas antigas, mas a luz pouco mudava o que sentiam por dentro. O quarto onde estavam era amplo, silencioso, mas carregado de um incômodo invisível — o tipo de peso que não vinha do corpo, e sim da alma.
Mirela, sentada na beira da cama, observava as próprias mãos trêmulas. Os braços ainda carregavam marcas roxas, cortes leves e o olhar perdido de quem tinha visto o pior lado da crueldade humana. O sequestro ainda parecia um pesadelo do qual ela não conseguia