Cecília Wortin encarava o espelho com o olhar fixo, perdido.
O vestido branco pendia em um cabide dourado à sua frente, refletido no vidro como uma promessa distante.
A costureira falava alguma coisa sobre ajustes na cintura, mas ela mal ouvia.
— Senhora Wortin? — perguntou a mulher, hesitante. — Deseja que apertemos mais aqui?
Cecília piscou devagar, voltando à realidade.
— Não… está perfeito — respondeu, sem convicção.
Perfeito.
A palavra soava vazia, quase cruel.
Nada estava