Thiago tinha vinte e cinco anos quando deixou Matachutes pela primeira vez.
Não por fuga.
Por ambição.
A Matilha o criara para duas coisas: serviço público e obediência. Ele só aceitou a primeira.
Desde cedo, aprendera a observar antes de falar, músculos que tensionam, intenções escondidas atrás de gestos, o tempo entre pergunta e respiração. Não era dom de lobo. Era treinamento. Ele queria o Conselho, queria política, queria estratégia.
E o Conselho quis ele.
Aos vinte e seis, estava sentado em mesas que homens bem mais velhos ainda chamavam de inalcançáveis. Aos vinte e oito, já assessorava dois membros seniores. Aos trinta, virou indispensável, não por amizade, mas por utilidade.
Foi nessa fase que Caroline sumiu.
Não sumiu literalmente, mas evaporou do radar dele.
Quando Thiago partiu, ela ainda falava nele com leveza, chamando-o de “porto seguro irritante”. Eles cresceram lado a lado. Brincaram, discutiram, treinaram juntos, sobreviveram aos mesmos instrutores. Não havia