“Nem toda casa é lar; algumas são vitrines com cadeado por dentro.” — (Anotação de R.)
A lembrança vem limpa: Aurélia me tirou do orfanato e me levou para uma casa que cheirava a jasmim, cera e pano recém passado.
Ali eu fui tratada como uma princesa.
Ali, ninguém dizia “prostíbulo”. Diziam casa. E, para quem comprava a fachada, era uma “agência de acompanhantes de luxo”: mulheres educadas, discretas, impecáveis — presenças para jantares, viagens, eventos.
A palavra “corpo” raramente aparecia; q