ELISA RIVER.
Eu ainda sentia o coração acelerado quando voltei para a sala de espera da ala pediátrica. Minhas mãos estavam frias, apesar do ambiente aquecido do hospital. Tudo ali parecia silencioso demais, como se o mundo tivesse diminuído o volume apenas para me obrigar a escutar meus próprios pensamentos — confusos, inquietos, pesados.
O que havia acabado de acontecer lá fora não saía da minha cabeça. Victor mentiu. Mentiu com facilidade e olhando nos meus olhos. E ainda me envolveu naquela mentira.
Eu poderia ter desmentido. Poderia ter dito a verdade. Mas, no instante em que ouvi como aquele tal de Afonso falava, a maneira como ele olhava… algo em mim se acendeu em alerta. Aquele homem queria destruir Victor e passaria por cima de qualquer um para isso. Ele me lembrava aquele escroto do banqueiro, filha da puta que destruiu minha vida.
E, naquele segundo, eu soube: aquele homem era uma ameaça. Não a Victor. Mas à Mel.
Aquela certeza me atravessou como um choque. Por isso aceitei