VICTOR BALTIMOR.
Eu precisava pensar rápido. Muito rápido. Afonso me olhava e um sorriso de vitória surgiu em seus lábios.
— Victor, você tem uma filha? E escondeu de todo mundo? — ele perguntou, com um brilho perverso nos olhos, claramente satisfeito, como um predador que finalmente sente o cheiro do sangue. Ele estava saboreando cada palavra como se já estivesse degustando minha queda.
A pergunta de Afonso ainda ecoava na minha cabeça como um tiro disparado à queima-roupa, sem aviso, sem tempo para defesa. Por um segundo, senti o chão se mover sob meus pés. Não por medo dele, mas pelo que aquela pergunta poderia causar. Escândalo. Manchetes. Caos político. Minha carreira construída com estratégia, esforço e dedicação poderia ruir ali.
Mas eu não iria perder para esse merdinha. Em frações de segundo, avaliei o cenário. Vi o risco se materializar diante de mim.
Olhei ao redor instintivamente. Elisa estava de costas para Afonso e de frente para mim, focada na enfermeira, completamente