CAPÍTULO VINTE E UM — INIMIGO.
VICTOR BALTIMOR.
Elisa me chamou para conversar e saiu na frente, os passos firmes, decididos. Eu estava pronto para segui-la imediatamente, o corpo inteiro tenso, a mente em alerta, quando senti alguém segurar meu braço com força suficiente para me obrigar a parar. Virei-me irritado, era minha mãe.
Ela me olhou por alguns segundos, como se estivesse escolhendo cuidadosamente as palavras, depois suspirou profundamente, ela parecia cansada. Não era um suspiro qualquer, era de quem estava decepcionada.
— Você precisa se desculpar com a Elisa, Victor — disse, sem rodeios. Franzi o cenho, mas não respondi.
— Essa menina é muito especial — continuou ela, a voz firme. — E cuida muito bem da minha neta. Posso afirmar sem exagero: ela cuida da Melissa como uma mãe. E você foi um idiota com ela. Como pode acusá-la de deixar Melissa doente? Você não tem coração?
Aquilo me atingiu profundamente. Minha mãe raramente me confrontava daquela forma. Quando o fazia, era porque a situação tinha realmen