CAPÍTULO TRINTA — MEL EM CASA.
ELISA RIVER.
Eu estava assustada, nervosa e irritada. Um turbilhão de emoções que não me deixava respirar direito. Andava de um lado para o outro na edícula, sem conseguir me concentrar em nada, sem saber o que fazer. Aqueles urubus agora sabiam quem eu era. Minha identidade estava exposta, meu nome jogado aos leões. Em pouco tempo, iriam revirar minha vida inteira, procurar falhas, inventar histórias e distorcer cada passo que dei até aqui.
Maldita hora em que cruzei o caminho de Victor Baltimor. Toda essa merda era por causa dele.
Ceci havia desligado a ligação, mas antes tentou me acalmar. Disse que o tio resolveria tudo, que eu não precisava me preocupar, que ele sabia lidar com crises. Mas eu estava preocupada. Gente pobre como eu sempre se ferra nessas histórias. O poderoso se protege, o fraco vira dano colateral.
Já perdi tudo uma vez. Vi minha vida desmoronar por decisões de pessoas más. E agora, quando finalmente tinha uma nova chance, quando estava reconstruindo algo sólido