Mundo de ficçãoIniciar sessãoELISA RIVER
Acordei e me espreguicei. Olhei para o lado, mas o homem que me dera a melhor transa da vida havia evaporado. Ele me fez gozar tantas vezes que eu perdera a conta. Meu corpo inteiro gritava: cabeça explodindo, coxas ardendo, a parte íntima latejando. Levantei devagar e, quando coloquei os pés no chão, senti uma dor horrível. Olhei para o corpo e vi as marcas roxas nos quadris e pelo meu corpo. Ele me deixou toda marcada. Peguei o vestido, vesti e saí do quarto. Levei o maior susto. Um homem de terno impecável, sério, me esperava no corredor.
— Parece que você se saiu muito bem ontem e causou uma ótima impressão. Foi um grande prazer contratar seus serviços. — Disse ele e estendeu-me um envelope que não peguei. — Talvez haja chance de repetirmos, já que meu chefe gostou muito da experiência.
— O que você está falando? Eu não te conheço, nunca te vi e não tratei nada contigo. — Olhei para aquele homem estranho, bizarro e fiquei mais alerta.
— Pode parar de fingir, somos só nós dois aqui. Aliás, com sua atitude, você está cumprindo perfeitamente o contrato de confidencialidade. — Ele piscou e sorriu como se eu estivesse fazendo uma encenação.
— Você é louco? Que contrato de confidencialidade? Quem é você afinal? — Falei, já perdendo a paciência com esse perturbado a essa hora da manhã. Ele pareceu finalmente perceber que havia algo errado e que eu não o conhecia.
— Desculpe, perguntar, mas qual é seu nome?
— Erica! Acho bom me explicar quem é você agora e o que quer comigo. — Exigi. Ele ficou branco como uma folha de papel.
— Estou fodido! — Disse e respirou fundo parecendo que iria sufocar e cair duro na minha frente. Depois pegou o celular, tremendo e ligou para alguém.
— Onde você está? Você não ficou com meu chefe ontem a noite? — Claramente, a resposta do outro lado não lhe agradou, pois no próximo instante ele perdeu a compostura e começou a falar alto.
— Como você pode ser tão irresponsável? Nós temos um contrato assinado! Como pode simplesmente não aparecer sem aviso? Eu fui completamente prejudicado por você. — Ele desligou o telefone, depois de ameaçar a pessoa de todas as maneiras possíveis. Então olhou para mim e ficou um momento sem saber o que dizer.
— Me perdoe, acho que me enganei de pessoas. Por favor, aceite este envelope. — ele se endireitou, assumindo uma postura séria e me entregou o envelope — Espero que, depois que sair daqui, consiga esquecer tudo o que aconteceu ontem a noite.
Abri e havia dinheiro. Muito dinheiro. Demorei um pouco para entender, mas quando a ficha caiu, o sangue me subiu à cabeça. Aquele babaca achava que eu era uma garota de programa?
Joguei o envelope na cara dele com força suficiente para as notas voarem pelo corredor. Saí pisando duro, xingando tão alto que minha voz ecoou pela casa inteira. A raiva era tanta que a dor sumiu. Desci as escadas correndo e, no andar de baixo, quase trombei com Cecília. Ela estava ali, de boca aberta, ouvindo meus xingamentos, eu nem parecia uma professora, que se dane, cansei de ser otária, hoje nasceu uma nova Elisa.
— Eli? O que está acontecendo? — perguntou, assustada.
— Depois eu te explico, Ceci. Agora só quero sumir daqui — rosnei, passando direto por ela.
Cheguei ao apartamento dela ainda furiosa. Contei tudo. Ela ficou puta da vida com o cara, mas não segurou o sorrisinho malicioso:
— Pelo menos você finalmente transou. Estava quase virgem de novo. Precisava mesmo e ele acabou contigo amiga, olha essas marcas de chupão — falou, debochada.
— Isso é verdade. Aquele idiota serviu para tirar minhas teias de aranha. E o maldito era gostoso demais e sabia dar prazer. Mas foi um babaca no final — comentei, suspirando só de lembrar.
— Amiga, esquece esse idiota. Você nunca mais vai ver a cara dele. Ele já serviu ao seu proposito. Agora segura a novidade boa — sorriu.
— Então me conta, estou precisando de boas notícias.
— Contei tudo aos meus pais sobre o que estava acontecendo com você. Eles te adoram, você sabe, e quiseram ajudar. Meu tio Victor precisa de alguém de extrema confiança para trabalhar na casa dele. Meus pais te indicaram. — contou.
— Mas é no Canadá, minha vida inteira está aqui…
— Elisa, acorda. Você não tem mais nada te prendendo aqui. Eu e meus pais vamos nos mudar para a França semana que vem. Você perdeu o emprego, perdeu a casa, aquele banqueiro filho da puta vai te infernizar até debaixo da terra. Você não tem nada a perder — disse ela, sendo realista. Ceci, estava certa.
— Você tem razão. Não existe mais nada para mim aqui… Vai ser bom recomeçar. Eu aceito a vaga.
Dias depois, desembarquei no Canadá. Um automóvel me levou até uma mansão que parecia um palácio. Passei por uma inspeção rigorosa antes de entrar na casa, e o mordomo me conduziu até um escritório luxuoso. Uma senhora elegante, de cabelo prateado impecável, me recebeu com um sorriso caloroso.
— Você deve ser a Elisa. Eu sou Abigail Baltimor.
Arregalei os olhos. Baltimor. Avó da Ceci. Nunca a vira pessoalmente.
— Algum problema, querida? — perguntou, preocupada.
— Nenhum… só não sabia que a senhora era avó da Cecília. A senhora é muito bonita.
— Obrigada, querida. Minha neta é um amor e falou maravilhas sobre você. Agora que te vejo, entendo por que ela gosta tanto de ti. E você tem exatamente o perfil que precisamos — disse, sorrindo.
Antes que eu perguntasse qual era a vaga, a porta se escancarou. Uma funcionária entrou correndo, desesperada, com um bebê berrando no colo.
— Senhora, a Melissa não para de chorar! Já tentamos tudo!
Levantei-me num impulso e estendi os braços.
— Posso tentar? Eu ajudava a cuidar das crianças do maternal na minha antiga escola, nos tempos vagos.
Ela não hesitou e jogou praticamente a criança em mim. Encarei o pacotinho vermelho de tanto chorar e sussurrei:
— Calma, meu amor…
Embalei com delicadeza, levei ao sofá e a deitei, ela chorava sem parar. Analisei-a em busca do que atormenta um bebê. Entendi na hora o incômodo. Tirei a peça de roupa, peguei-a de volta nos braços, embalei e comecei a cantar. Em segundos, o choro silenciou. Olhinhos azuis profundos me fitaram — uma sensação de déjà-vu me invadiu, como se já os conhecesse — e então se fecharam. Melissa adormeceu como um anjo.
— Os bebês não sabem falar, só conseguem chorar para manifestar seu incômodo.
— Isso é impossível! — exclamou a funcionária, atônita.
— É um milagre — sussurrou Abigail, boquiaberta. Sorri para a bebê.
— Eles gostam que cantem para eles. Acho que ela gostou de mim.
— Maravilha — disse Abigail, aliviada. — Você está contratada.
— Sério? Que maravilha! Mas… para qual vaga exatamente? Qual será o meu serviço? — perguntei, o coração acelerando de empolgação.
— Está olhando para a sua função: você será a babá da Melissa — respondeu, o alívio transbordando. Sorri. Eu sabia lidar com crianças; cuidar de um bebê seria moleza. Abigail ainda me observava, o sorriso se ampliando. Eu absorvia a notícia quando ela falou:
— A propósito, deixe-me apresentar o seu verdadeiro chefe… — passos ecoaram atrás de mim. — Meu filho. Victor, essa é Elisa.
Segurei Melissa com firmeza e me virei, o sorriso pronto. Mas ele congelou e morreu no instante em que o vi.
— Como é, você?







