CAPÍTULO CINCO — NÃO PODE SER.

ELISA RIVER.

O chão pareceu se abriu sob meus pés. Não podia ser. Ele me reconheceu no mesmo piscar de olhos.

Aquele homem — o mesmo que tinha me fodido contra a parede de um quarto escuro, que tinha me feito gozar até eu esquecer meu próprio nome — era Victor Baltimor, o primeiro-ministro, pai da Mel e tio da minha melhor amiga. As narinas dele dilataram, o rosto ficou vermelho de fúria, e ele avançou como um touro enfurecido.

— Como diabos você entrou na minha casa? — rosnou, o tom era de pura raiva.

Melissa resmungou no meu colo, acordada pelo barulho. Entreguei ela rapidinho para a funcionária que surgiu do nada e desapareceu com a criança em segundos.

— Como deixaram essa mulher entrar aqui? — berrou ele para a mãe, que congelou no lugar.

Antes que alguém pudesse respirar, ele agarrou meu braço com força suficiente para deixar marcas e me arrastou pelo corredor como se eu fosse lixo.

— Me solta agora, seu idiota! — sibilei, me debatendo, as unhas cravadas no braço dele.

Ele apertou mais. Doeu. Mas eu não ia dar o gostinho de gemer. Chegamos à sala principal. A senhora Abigail veio correndo atrás, o seu rosto estava pálido.

— Victor! O que você pensa que está fazendo com a Elisa?

— Agora não, mãe! Preciso me livrar dessa invasora insolente!

— Pare com isso imediatamente! Ela é a nova babá da Melissa!

Ele parou tão de repente que quase tropecei. Me soltou como se me tocar o queimasse. Se virou para mim, os olhos azuis me fuzilando como se quisessem me incinerar.

— O quê?

— É verdade — disse Abigail, firme. — Ela foi indicada pelo seu irmão e pela sua cunhada.

Victor me mediu de cima a baixo, a veia latejando no pescoço.

— Você é a recomendação deles? — perguntou, a voz carregada de desconfiança.

— Sou — respondi, sustentando o olhar, o queixo erguido. A raiva queimava no meu peito como brasa viva. Ele respirou fundo. As mãos fecharam em punhos.

— Você está dispensada. Não quero gente da sua laia perto da minha filha.

As palavras bateram como um tapa e meu sangue ferveu imediatamente. Quem esse infeliz pensa que é para me tratar assim? Não vou levar desaforo para casa.

— Pois eu também não quero trabalhar para um babaca arrogante como você! — disparei de volta. Ele abriu a boca para retrucar, mas sua mãe se meteu no meio.

— Pelo amor de Deus, Victor, se acalme! A Melissa gostou da Elisa. Você viu como a menina estava calma no colo dela? Ninguém mais conseguiu isso!

Victor fechou os olhos por um segundo. Quando abriu, faiscavam de raiva pura. Me encarou como se estivesse decidindo se me estrangulava ou me jogava na parede de novo — dessa vez de outro jeito.

— Vamos conversar. No meu escritório. Agora. — Ordenou autoritário.

VICTOR BALTIMOR.

Aquela mulher não saía da minha cabeça desde aquela noite. Revivia cada gemido, cada arranhão que ela deixou nas minhas costas, cada vez que apertou meu pau como se fosse dona dele. Meu corpo reagia só de lembrar. Mas vê-la ali, na minha casa, com minha filha no colo… aquilo era um pesadelo. Como diabos meu irmão havia indicado justamente ela?

Entrei no escritório, servi um uísque puro e virei de uma vez. O álcool desceu queimando, mas não apagou o fogo que ela acendia em mim e a irritação que eu estava sentindo.

Ela ficou de pé, de braços cruzados, me encarando com ódio puro. Aquela boca… aquela mesma boca que tinha me chupado até eu perder o juízo. Porra, Victor, foco.

— Meu irmão e minha cunhada sabem como você ganha a vida? — perguntei, cortante.

— Claro que sabem. Eles são praticamente família para mim. E foi exatamente por conhecerem minha profissão que me indicaram.

Fiquei parado, tentando processar. Então a ficha caiu.

— Você transou com meu irmão. E está chantageando ele, por isso a indicação — acusei, a raiva misturada com uma pontada estranha, possessiva, que eu não queria admitir. Ela deu um passo à frente, os olhos flamejando.

— Você é louco? Está ouvindo a merda que está falando? Acha que eu sou o quê, seu babaca?

— Não se faça de santa. Você é uma oportunista que se infiltrou na família, transou com meu irmão e depois comigo naquela noite e agora quer usar isso para subir na vida. Mas escuta bem: comigo não cola. Eu não caio nessas armadilhas.

Ela riu. Uma risada seca, cheia de desprezo.

— Você é um doente filho da puta. Sabe que mais? Eu não preciso escutar suas acusações idiotas e nojentas. Me demito. E vá para o inferno. — esbravejou, me pegando de surpresa, nunca imaginei que fosse tão desaforada. Ela virou e foi até a porta, mas parou e virou só o suficiente para me olhar por cima do ombro.

— Ah, e mais uma coisa: você é um fiasco na cama. Meu vibrador me faz gozar mais rápido e mais forte que seu pauzinho. — declarou e ainda fez um gesto insinuando que ele era pequeno. E saiu batendo a porta com força suficiente para fazer as paredes tremerem.

Fiquei ali, o sangue pulsando nas têmporas, o pau duro traindo toda a raiva que eu sentia. Quem essa mulher pensava ser para me falar assim? Pensei em ir atrás daquela diaba e lhe dar uma lição pelo desaforo. Mas não valia a pena.

Minha mãe invadiu o escritório, minutos depois, desesperada com a “demissão da única babá que Melissa aceitou”. Deixei ela falar e lamentar o quanto quis. Prometi que arrumaria outra pessoa para acalmá-la. Assim que ela saiu, peguei o celular, chamei meu assistente.

— Pablo, investigue tudo sobre Elisa River. Quero tudo. Quero saber cada detalhe da vida dessa mulher. — Ordenei. Descobriria cada segredo daquela diaba, a colocaria nas minhas mãos — e aí, sim, tiraria proveito e a faria se desculpar pelo insulto.

Horas depois, eu tentava trabalhar, mas os berros de Melissa atravessavam a casa inteira. Minha mãe deixou a porta aberta de propósito — um castigo sutil. Bufei, irritado.

Uma tosse na porta, chamou minha atenção. Pablo, estava parado e parecia nervoso.

— Fala logo. O que descobriu sobre a garota-problema? 

— Senhor… tivemos um engano. A mulher daquela noite não era garota de programa. Era a professora de educação infantil Elisa River. Melhor amiga da sua sobrinha Cecília. Ela… não mentiu em nada. — largou a bomba, encolhendo-se. Eu me levantei num salto, o copo quase caindo da mão.

— Puta que pariu.

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