Michela ajeitava a faixa delicada de veludo no cabelo de Serena, enquanto eu segurava o vestidinho branco com pequenas flores azuis que havíamos escolhido para hoje. Minha filha me olhava com aqueles olhos vivos, impaciente, mexendo as mãos no ar como se quisesse correr dali.
— Papai, é festa? — ela perguntou com a curiosidade mais pura do mundo.
Meu coração quase derreteu.
— É festa, minha princesa. Mas não é qualquer festa. É a inauguração da exposição do papai. — respondi, tentando manter a voz firme, embora por dentro eu fosse só um amontoado de nervos e felicidade.
Michela me olhou de soslaio, o sorriso discreto nos lábios. Era estranho pensar que, por tanto tempo, minha mãe não havia enxergado meu sonho, e agora estava ali, preparando comigo cada detalhe, como se quisesse recuperar os anos que passaram.
— Está pronta, minha bonequinha — ela disse, beijando a bochecha de Serena e entregando-a para mim.
Eu a levantei no colo, rodando-a no ar, e Serena gargalhou tão alto que até a