A chuva em Londres nunca parecia ter fim. Lá fora, as gotas caíam com uma cadência quase hipnótica, batendo contra as vidraças enormes do meu quarto. A mansão dos meus pais era silenciosa agora — ou talvez fosse eu que me sentia deslocado dentro dela, grande demais, fria demais.
Fechei o laptop com um suspiro. As páginas de anatomia e fisiologia ainda estavam abertas, mas meu cérebro já tinha desistido horas atrás.
O celular vibrou ao lado, a última mensagem da noite piscando na tela:
Giulia: “