— Pai? — Minha voz soou hesitante enquanto a chamada de vídeo conectava. Eu não lembrava da última vez que o tinha chamado assim tão naturalmente, mas agora parecia certo. Tão certo quanto o frio de Londres que se infiltrava pela janela do meu pequeno apartamento.
A tela iluminou com o rosto dele. Miguel. Não, o meu pai. Os olhos castanhos, cansados pelo trabalho, mas ainda assim suaves quando pousaram em mim. Ele estava na sala de casa, aquela mesma sala que eu conseguia lembrar até o cheiro: