Mundo ficciónIniciar sesiónFui mantida em isolamento no acampamento até o retorno à corte do alfa supremo Viktor Alistair. A marcha foi longa, mas logo as diferenças entre meu antigo captor e o Supremo ficaram claras. Lobos fortes e bem treinados, uma estrutura que eu nunca havia visto antes, assim como a força que emanava naturalmente do alfa supremo.
“Continue andando, loba.” um dos soldados que me escoltavam disse, me empurrando.
Quando entramos na trilha humana, meus olhos se arregalaram ao ver uma pequena cidade. Muros de pedra a cercavam e lobos com roupas escuras faziam rondas e verificavam com cuidado cada um que entrava. Todos se curvaram na presença do alfa supremo e, conforme caminhávamos pela passagem principal, famílias saíam de suas belas casas para contemplar o cortejo.
Aos meus olhos, tudo aquilo era muito estranho. As construções não eram como as tocas nas florestas, a estrada principal era coberta por algo escuro e quando nos aproximamos do que parecia ser o centro daquela alcateia, não havia um castelo de pedra, mas uma construção reflexiva e imponente.
Ouvi risos baixos e contidos enquanto andávamos, o que me incomodava muito. Eu sabia que eles eram destinados a mim, pois estava suja e sendo arrastada por aquelas malditas correntes de prata, sem contar que minhas roupas eram completamente diferentes das que as lobas daquela alcateia usavam.
A presença poderosa do alfa supremo o antecipou. Instintivamente, baixei a cabeça e esperei pela sua aproximação. Na noite anterior, tudo o que consegui identificar em sua aparência foi seus profundos e gélidos olhos azuis. Tomada pela curiosidade e impulsividade, ergui meus olhos.
Viktor Alistair era um lobo muito alto, com quase dois metros de altura. Seus cabelos negros ostentavam vários fios grisalhos, deixando claro que ele estava no auge de seu poder físico. As partes de seu corpo que não estavam cobertas exibiam cicatrizes e batalhas anteriores. Viktor cruzou seus braços fortes sobre o peito, revelando em seu dedo um aparato que parecia ser um anel, mas que se estendia até a ponta do dedo indicador, com uma longa garra.
“Então, era isso que aquele merda escondia com tanto afinco.” a garra gelada tocou meu queixo, queimando minha pele. Era prata pura. “Uma joia tão bela enfiada na lama.” Fechei meus olhos com força, esperando que minha garganta fosse cortada, mas nada aconteceu.
“O que devemos fazer com essa loba, meu alfa?” um dos soldados perguntou, mas não houve resposta, até que uma voz fina e suave surgiu.
“Meu alfa. A deusa atendeu às minhas orações.” olhei discretamente e vi uma linda loba se aproximando. Longos cabelos dourados, uma pele lisa e sem qualquer marca, um corpo saudável envolto em roupas luxuosas e joias.
“Minha Luna.” Viktor respondeu com uma voz baixa, mas desprovida de emoções. “Ordenei que não saísse da fortaleza.” a pressão de seu poder me fez segurar a respiração por alguns segundos.
“Pensei… pensei que ficaria feliz que eu o recebesse, meu alfa.” a loba gaguejou, dando um passo para trás, sua sombra se afastando da sombra do alfa supremo.
“Tolisse.” de repente, senti o peso do olhar do alfa sobre mim. “Limpem-na e a levem até os meus aposentos.”
“Meu alfa?!” a voz da loba soou incrédula, mas logo ela ficou em silêncio. O estalo do tapa soou alto e, logo, o pequeno corpo da loba estava no chão a centímetros de onde eu estava.
“Ousa questionar minhas ordens?” ele rosnou, a fúria clara em cada palavra.
Mordi meus lábios, pela primeira vez, com medo de que a raiva daquele alfa se voltasse contra mim. A loba ficou imóvel, deitada no chão, com a respiração fraca, um fio leve de ar. Seus olhos já não pareciam ver nada enquanto uma lágrima solitária rolava pelo seu rosto. Indiferente às condições de sua Luna, o alfa supremo passou por ela, seguindo na direção da construção espelhada. Outras lobas se aproximaram e carregaram a luna, seguindo o alfa supremo.
“Beta.” um dos lobos chamou o grande lobo que havia me capturado. Ele também era alto, o cabelo completamente raspado e o rosto tomado por marcas e cicatrizes. “O que devemos fazer?”
O beta me olhou com nojo, rosnando alto na minha direção, exibindo seus dentes. “Façam como foi ordenado pelo alfa supremo, irei conversar com ele.” com isso, ele partiu, seguindo a comitiva de lobas.
“Vamos, loba.” o soldado disse, me arrastando para o outro lado.
Mais uma vez, fui banhada e me colocaram um conjunto estranho de roupas, muito curtas e transparentes, de cor preta. As correntes dos meus pulsos e tornozelos foram tiradas, mas mantiveram a que ficava no meu pescoço.
Enquanto caminhávamos por um corredor escuro, pude ouvir vozes alteradas vindas de um dos cômodos. A porta se abriu e o beta surgiu, seus olhos ardendo em fúria na minha direção.
“Indigna.” ele disse entre os dentes antes de sair.
“Não lhe dê atenção, entre.” Viktor ordenou e fui empurrada para dentro do quarto, a porta sendo trancada atrás de mim. Olhei para os lados, pensando em formas de me livrar daquela situação.
“Está um pouco magra, mas ainda é muito bela.” ele disse, se aproximando. Me curvei, juntando toda a minha vontade para resistir à sua presença, o que o fez sorrir. “Relaxe, serei gentil com você.”
“Não quero a sua gentileza.” respondi entre os dentes. O alfa supremo soltou uma gargalhada, jogando a cabeça para trás.
“Parece que isso será mais divertido do que eu imaginava.” ele se adiantou, agarrando meu pulso e erguendo meu braço.
“Você tem uma companheira!” gritei, apelando para o laço que aquele alfa deveria ter com sua luna.
“Aquela loba velha e fraca já não me serve para nada.” ele segurou meu rosto com força, me forçando a olhá-lo diretamente. “Já você tem…”
Sua voz morreu. Ambos ficamos petrificados diante do que nos era revelado. Um sussurro suave, um sopro gentil em minhas orelhas trazia a voz da deusa.
Destino.
Shade uivou em meu peito enquanto meu coração acelerava incontrolavelmente. Viktor me soltou, como se uma corrente elétrica passasse por nossos corpos.
“Que merda de piada de mau gosto é essa?!” ele rugiu, agarrando meus cabelos e me arrastando para fora do quarto.
“Me solte!” eu gritei, vendo os olhares de horror e choque que nos seguiam enquanto Viktor continuava a me puxar pelos cabelos. Fui levada até o lado de fora, onde um círculo se formava ao meu redor, e lançada no centro dele.
“Diga seu nome, loba.” ele ordenou. Mordi meu lábio, tentando me manter firme. “Eu ordenei que falasse o seu nome.” o peso de sua autoridade me oprimia, Shade chorava em meu peito, sofrendo.
“Lyra. Meu nome é Lyra Cynthion.” o alfa supremo sorriu de forma perversa.
“Eu, Viktor Alistair, alfa supremo, rejeito você, Lyra Cynthion, escrava, como a minha companheira predestinada.”







