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Capítulo 4: Humilhada e caçada

A dor que me dominou refletia-se em Shade. A sensação de ser rasgada por dentro, como se meu corpo e a minha alma estivessem sendo divididos na metade. Meu rosto estava voltado para o chão, meus pulmões queimando a cada tentativa de respirar. Minha voz parecia presa na garganta enquanto eu me contorcia, com as minhas unhas ficando longas e cravando no chão. Eu sentia Shade tentando sair, meu corpo oscilando em meio a transformação.

Quando finalmente o sofrimento acabou, senti meu corpo sendo erguido pelos braços, meus pés arrastando no chão. Meus ouvidos zumbiam, minha visão turva enquanto eu lutava para me manter acordada.

“Levem essa maldita para a prisão. Lidarei com ela mais tarde.” a voz do alfa parecia distante e fraca, mas eu não conseguia identificar de onde vinha. 

Acabei desmaiando enquanto era levada e despertando em um chão sujo, cheirando a urina e decomposição. Minha cabeça doía, meu corpo dolorido como se eu tivesse sido espancada por horas. Me levantei com dificuldade, mas logo caí sentada, com as minhas pernas ainda fracas.

“Aquele desgraçado, filho da puta.” rosnei furiosa, socando o chão com força. “Como se eu quisesse ser a predestinada de um lobo velho como ele.”

Consegui me levantar após algumas tentativas e fui até as grades. Não havia mais ninguém na área das celas, a pouca iluminação vinha de duas tochas mais afastadas. Farejei com cuidado, tentando identificar algo além dos cheiros horríveis que me cercavam, mas foi inútil.

Olhei pela minha cela e vi uma tigela velha com água. Minha garganta se fechou, meus lábios estavam muito ressecados para questionar se aquela água estava limpa ou não. Me inclinei e vi meu reflexo. Eu estava horrível. Mal era possível ver o tom prateado dos meus cabelos por conta de toda a lama e sujeira presas neles. Meus olhos estavam profundos e abatidos, meu rosto marcado pelos vários dias sem me alimentar corretamente, com os ossos saltando e a pele fina e frágil.

Dei um sorriso fraco, enchi minhas mãos com a água e a bebi em grandes goles. Tinha de aproveitar, pois não sabia quando teria a chance de beber água novamente naquela prisão.

Depois de beber, senti meu corpo se recuperando um pouco e relembrei a humilhação que o alfa me fez passar, minha raiva borbulhando novamente. Shade rosnou, concordando comigo. Tentei me transformar, mas senti a pele do meu tornozelo queimando. Olhei para baixo e vi as correntes presas a mim brilhando. A carne viva embaixo do metal quente. Soltei uma risada e Shade se contorceu diante do poder que aquele objeto carregava.

“Uma corrente de prata.” rosnei, puxando o metal com todas as minhas forças, tentando quebrá-lo. “Maldito covarde.”

Alguns lobos se aproximaram, olhando para dentro da cela com curiosidade, mas nunca diretamente para mim. A porta foi aberta, minhas mãos foram presas pela mesma corrente que estava no meu tornozelo e fui arrastada para fora.

Me mantive calada durante todo o caminho, evitando ser agredida ainda mais. Chegamos no belo castelo do alfa, com retratos e decoração pomposa. O grande salão estava iluminado e decorado para uma grande celebração, lobos e lobas da alcateia usavam roupas elegantes, alguns deles até exibiam joias e adornos exagerados.

Fui jogada no meio de todos eles. Alguns riam e apontavam, outros apenas cochichavam enquanto eu me colocava de joelhos.

“Vejam só, a famosa escrava prateada.” uma voz aguda surgiu, sobressaindo todas as outras. Olhei em sua direção e vi uma jovem de cabelos loiros dourados e olhos de um verde intenso tomados de desprezo por mim. Ela era quem usava as joias mais chamativas e estava cercada de lobas. “Minha Deusa, que cheiro horrível.” ela virou o rosto, cobrindo o nariz.

“Melhor se afastar, princesa. Não deve sujar seu lindo vestido com algo tão impuro.” uma loba de cabelos escuros disse, se dirigindo à loba loira.

A loba loira girou em seu vestido verde e elegante, exibindo-se enquanto todos a aplaudiam e suspiravam. Revirei meus olhos, não estava disposta a dar o que aqueles lobos desejavam. Foquei minha atenção em encontrar a rota de fuga mais próxima.

“Não seja tão má, Eleonor. Olhe para ela, suja, de casta inferior e com o corpo repleto de marcas de sua vida miserável.” suas palavras gentis estavam mescladas com um tom divertido e zombeteiro.

“Esse erro não é digno nem de estar no mesmo ambiente que você, minha filha.” a voz de Viktor ecoou no salão. Meu corpo inteiro travou, os pelos dos meus braços se arrepiando enquanto meus olhos voavam em sua direção.

A sede de sangue, a vontade de matá-lo, rasgar sua garganta com meus dentes. Ele se aproximou, a ponta de sua bota empurrando meu joelho.

“Nem mesmo um ômega a tomaria como sua companheira.” todos riram do comentário do alfa, mas quando eu comecei a rir, o silêncio voltou a dominar. A tensão crescia gradativamente.

“Engraçado você dizer isso, sendo que a deusa nos designou como companheiros de destino. O que isso faz de você, alfa Alistair?” Com dificuldade, me levantei, ficando de pé diante de todos, olhando diretamente para o alfa. “Eu, Lyra Cynthion, aceito a sua rejeição.” dei um passo à frente, minha voz se tornando um sussurro. “Mas eu garanto que farei você se arrepender de ter me capturado e de ter me humilhado.”

Em meu peito, Shade rosnou, suas garras arranhando a superfície da minha mente, mas eu a contive. As correntes me impediam de libertar minha loba e só nos causariam dor desnecessária.

A mão de Viktor voou na minha direção, rápida demais para que eu pudesse desviar. Ele agarrou meu pescoço, apertando com força e me erguendo do chão. Eu não conseguia respirar, meus pés balançavam no ar enquanto minhas unhas cravaram no braço do alfa, tentando lhe causar algum desconforto para que ele me libertasse.

“Quem é você, loba, para me ameaçar dessa maneira? Uma escrava.” Fui arremessada longe, caindo sobre o ombro direito, o sentindo deslocar com o impacto. “Vamos dar início ao grande evento dessa noite. A caçada cerimonial.”

Meu coração acelerou ao ouvir aquelas palavras. Meu corpo começou a tremer enquanto eu tentava me levantar segurando meu braço ferido. Eu estava sendo sentenciada à morte com a desculpa de ser oferecida à deusa como tributo. 

“Aquele que capturar a presa poderá reivindicá-la como prêmio antes do sacrifício.”

“Isso só pode ser sacanagem.” sussurrei. Me coloquei de pé, empurrando meu braço para colocar o ombro no lugar. O estalo pareceu incomodar alguns lobos, mas Viktor permaneceu olhando fixamente para mim. “Não acabem com a diversão muito rápido, aproveitem a caçada.”

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