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Capítulo 5: uma corrida pela vida

Enquanto eu era arrastada pela fora do salão, ouvi a filha de Viktor rindo e cochichando para suas seguidoras de que eu não duraria uma hora, que lobos da guarda pessoal do alfa estariam na caçada e me encontrariam em um piscar de olhos.

Ser tão subestimada me irritava. Mesmo no meu estado, fraca e debilitada, eu ainda era ágil e tinha resistência o suficiente para escapar. Passei toda a minha vida servindo como isca para os lobos daquele maldito alfa que me raptou, para que eles treinassem suas habilidades. A noite, eu me escondia deles, mas por outras razões.

As correntes eram pesadas e dificultavam meus movimentos enquanto meus braços eram puxados para baixo. O castelo estava ficando cada vez mais longe, a escuridão da floresta nos cobria, como um presságio sombrio. Ainda era possível ouvir os gritos e a celebração, enquanto as luzes do castelo se destacavam sobre as copas das árvores. Rosnei, irritada e frustrada, pois sabia que minhas chances de cumprir a promessa que fiz eram baixas.

Os soldados pararam, olhando para os lados de forma suspeita. Quando um deles se virou para mim, seus olhos medindo cada centímetro do meu corpo, eu já sabia o que eles estavam prestes a fazer. Eu já estava acostumada a receber aquele olhar nojento. Ele segurou meus ombros, me jogando no chão.

“Seja boazinha e fique quieta. Não podemos demorar.” a respiração rápida e fétida daquele lobo estava tocando o meu rosto. Franzi o nariz e rosnei, então ele me deu um forte tapa. “Sua puta, deveria se sentir onrada que eu tenha olhado para você.”

“Acaba logo com isso. Logo será dado o sinal para a caçada.”

O lobo em cima de mim agarrou a parte da frente da minha roupa, puxando e rasgando o tecido. Me mantive imóvel, como um cadáver. Ele agarrou meu rosto, o virando para que eu o olhasse.

“Abra bem esses lindos olhos e me veja tomar seu corpo…” puxei meu rosto e gravei meus dentes em sua mão com força. O sangue jorrando enquanto ele tentava se livrar da minha mordida puxando sua mão.

Os gritos alertaram seu companheiro, que surgiu com uma faca em mãos, pronto para me matar. Naquele momento, eu soltei o lobo e o empurrei com meu pé, fazendo-o se chocar contra o seu companheiro. Me levantei e corri o mais rápido que podia.

“Vai atrás dela!” um deles gritou, então o sinal luminoso tomou o céu noturno.

“Merda.” rosnei, correndo entre as árvores, saltando pelas pedras. “Preciso me esconder. Um lugar que nem Viktor possa me alcançar, um lugar como…” naquele momento, subi em uma pedra e vi, não muito longe, as luzes de uma cidade humana. “Isso!”

Desci correndo a colina, farejando enquanto tentava conter minha loba. Cada vez que Shade tentava assumir o controle, as correntes em meus pulsos queimaram a minha ele, me deixando mais fraca e lenta.

“Que merda, Shade.” rosnei escorregando e tropeçando em uma raiz. Cai para frente, rolando sobre galhos e pedras que cortaram a minha pele. “Será que você pode ajudar? Não percebeu ainda que não podemos trocar de forma?”

Olhei para trás, o rastro do meu sangue fresco contra a terra úmida.

“Merda!” choraminguei.

Eu estava cansada, ferida, minhas roupas rasgadas, enquanto minhas forças eram drenadas pelas correntes.  Mas eu não podia parar. Não podia me entregar. A única coisa que me fazia continuar a me mover era o desejo de destruir Viktor com minhas próprias mãos, mas, para isso, eu tinha de sair com vida daquela floresta.

Farejei, sentindo os cheiros característicos de uma cidade humana. Mas antes que eu pudesse alcançar a minha tão sonhada liberdade, ouvi um grupo grande se aproximando. Seus uivos ecoando por entre as árvores, me deixando completamente em alerta. Peguei uma pedra, pesada o bastante para nocautear alguém e com uma ponta para perfurar. 

Fiquei de pé, escutando com atenção enquanto um lobo se aproximava. Ele saltou pela minha direita, seus longos dentes mirando meu pescoço, mas eu consegui desviar, girando e o atingindo na lateral da cabeça com a pedra. O lobo gemeu no chão, tonto por causa do impacto, ele cambaleou quando tentou se levantar, mas eu não estava disposta a lhe dar aquela chance. Saltei sobre ele e desferi mais um golpe, e mais um, e mais um, até que seu crânio estava aberto, meus braços banhados em sangue.

“Menos um.” sussurrei, sentindo o cheiro de um grupo maior que se aproximava.

Abandonei aquele corpo e fugi, tendo de desviar do meu caminho para não comprometer meus planos. Se algum daqueles lobos me visse indo para a cidade, não demoraria para que Viktor planejasse algo para me levar de volta.

Eu estava me afastando, atenta a tudo que acontecia ao meu redor, porém eu me distraí e fui atingida nas costelas do lado esquerdo. Cai rolando na lama, a dor se espalhando por todo o meu corpo enquanto o sangue escorria pelo meu flanco.

“Acho que o prêmio será meu.” O beta de Viktor surgiu. Gideon Preston. O desprezo transbordava de seus olhos castanhos escuros. Ele parou ao meu lado, então pisou na minha perna, aumentando a pressão aos poucos. “Agora você vai pagar pela insolência contra o alfa, loba imunda.” ele pisou com mais força, a dor se tornando insuportável.

“Nem fudendo.” rosnei, usando a outra perna para chuta ro joelho de Gideon. Como esperado, ele desviou e usei aquela oportunidade para desequilibrá-lo, puxando minha perna.

Aquele lobo não era um beta sem motivos, logo havia se recuperado e estava prestes a me deter novamente, mas ele não contava com a cobiça de seus próprios lobos. Eu havia percebido a aproximação de dois lobos, que se uniram em uma tentativa patética de me reivindicar, derrubando Gideon.

Um dos lobos saltou na minha direção, agarrei suas patas e o girei, lançando seu corpo macisso contra Gideon. Surpreso, o Beta desviou e eu consegui escapar, correndo de volta para a cidade.

O ferimento na minha costela e na minha perna atrapalhava meus movimentos, mas eu ainda consegui chegar até uma casa que ladeava a floresta. Me arrastei com cuidado, indo até o quintal e pegando algumas roupas penduradas. Com cuidado, encontrei uma torneira e lavei meu rosto e cabelos o melhor que pude.

Eu sabia que não estava segura. Precisava encontrar um local seguro onde meu cheiro não seria facilmente detectado pelos lobos de Viktor. As ruas estavam quase vazias, mas havia um local de onde os humanos saíam que exalava um cheiro forte de bebida.

“Ali. Preciso chegar até aquele lugar.” sussurrei, sentindo dificuldade em respirar.

Minha visão começou a escurecer, minhas pernas se arrastavam pelas ruas, me fazendo cambalear de um lado para o outro, mas eu não me atrevi a fraquejar. Eu não podia cair, ou seria o meu fim.

Estendi a mão trêmula, empurrando a porta. Um vulto alto e corpulento saiu dos fundos, caminhando rapidamente na minha direção. Foi então que eu não consegui mais suportar e desmaiei.

Algo tocava minha pele. Ardia muito, mas eu não tinha forças para reclamar. Abri meus olhos devagar e vi um homem com olhar preocupado, suor escorrendo da testa. O cabelo preto como a noite caia sobre seus olhos castanhos calorosos. Um humano.

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