Inicio / Lobisomem / A Luna do Alfa bastardo / Capítulo 2: A sombra das árvores
Capítulo 2: A sombra das árvores

A lua cheia brilhava sobre a cela, como se estivesse debochando de mim e das minhas falhas tentativas em me libertar dos últimos dias. De repente, água gelada atingiu minhas costas e cabeça, me surpreendendo.

“Acorde e sorria, loba. Parece que a deusa te dará mais uma chance.” o soldado dizia enquanto lançava mais um balde sobre mim. Meu nariz coçou, incomodado com o forte cheiro que vinha daquela água.

“O que é isso que você jogou em mim?” questionei e o lobo exibiu seus dentes, irritado. Ele chutou as grades, rosnando.

“Isso é muito mais do que uma escrava como você merece.” então ele deu as costas e saiu, dando lugar para duas lobas, claramente escravas. “Arrumem a loba, sem gracinhas.” elas tremeram diante da ameaça, mas eu me mantive firme.

Aquela seria a oportunidade perfeita para escapar, mas quando as lobas se aproximaram, extremamente pequenas e fracas, eu não consegui fazer nada. Se eu fingisse sob seus cuidados, elas seriam mortas. Permiti que lavassem meu corpo e me colocassem uma roupa limpa. Meus cabelos foram escovados e trançados enquanto mais daquela água malcheirosa era espalhada sobre a minha pele.

“Olha só. Agora eu compreendo o motivo do alfa ter permitido que você continuasse viva.” rosnei para o lobo, que puxou minhas correntes com força. “Vamos ver por quanto tempo essa bravura vai resistir.”

Passamos por corredores e portas que eu jamais havia visto dentro da fortaleza. Em pouco tempo estávamos diante de uma grande porta de madeira escura, ornamentada com puxadores dourados e entalhes de um grande lobo que uivava para a lua cheia.

O pânico me dominou. Comecei a me debater, puxando as correntes enquanto meus pés deslizavam pelo chão de pedra polida. Meu coração batia acelerado em meu peito, meus pulmões queimaram, como se o ar que eu puxava não estivesse chegando até eles. O soldado me puxou com força, mas eu continuava a lutar.

As grandes portas se abriram e eu congelei.

Usando um roupão, o alfa surgiu, segurando uma taça dourada em uma das mãos e uma corda fina na outra. Sua aparência estava longe da de um alfa poderoso, assim como sua presença. O que mantinha aquele lobo no poder era sua conexão com outros alfas, alianças poderosas que o mantinham no poder apenas como uma figura simbólica.

“Agora sim. Você está muito melhor de se olhar, loba prateada. Me lembra do dia em que matei todo o seu clã.” rosnei para ele, mostrando meus dentes. A raiva transbordando da minha loba, presa por causa daquelas malditas correntes. 

Fui jogada para dentro do quarto, caindo com o rosto voltado para o chão. Quando tentei me levantar, senti um peso cair sobre minha perna. Ao me virar, vi a porta se fechando, minha última esperança de fugir daquele inferno ficando presa do lado de fora.

“Agora, me deixe provar dessa beleza selvagem.” o alfa disse, estendendo sua mão na minha direção.

Quando ele estava prestes a me tocar, puxei minha perna com todas as minhas forças, o desequilibrando, então desferi uma forte mordida em sua mão, arrancando dois de seus dedos.

“Loba maldita!” o alfa gritou. Sua mão voou contra o meu rosto, me lançando contra a parede do outro lado do quarto. O impacto me tirou o ar, minha visão ficando turva por alguns momentos. 

Quando me recuperei, vi o alfa enrolar sua mão com um lençol.

“Sua puta! Eu juro, você não sairá viva desse quarto. Quando eu me cansar do seu corpo, irei me divertir te torturando. A deusa será a única a ouvir seus lamentos.”

“Meu alfa!” alguém chamou do outro lado da porta, abrindo-a logo em seguida. 

“Fora!” o alfa ordenou, mas já era tarde.

Saltei sobre ele, empurrando o soldado na porta e correndo pelos corredores. Segui o caminho que havia feito antes, alcançando rapidamente a floresta. Mas eu ainda não estava segura.

Minhas pernas ardiam, os músculos doloridos com o esforço. Meus pés feridos pelas pedras e galhos, mas eu não podia parar. O ar queimava na minha garganta, meus pulmões fazendo um esforço além do seu máximo para que eu continuasse em movimento.

“Não pare.” disse ofegante, tentando encontrar forças dentro de mim. “Ainda não podemos parar.” minha loba rugia em meu peito, desesperada.

Meu pé ficou preso em uma raiz alta e eu caí, meus braços estendidos para frente. Tentei me levantar, mas meu corpo trêmulo não tinha mais forças para me manter de pé. O ar gelado cortava minha pele em rajadas de vento. O céu sobre as árvores, tomado por estrelas, parecia me convidar para o descanso. Até que ouvi uivos não muito longe de onde eu estava. Me coloquei de joelhos, tomando várias respirações com o rosto voltado para cima, meus olhos ardendo com lágrimas não derramadas.

“Minha deusa, me dê forças.” implorei para o vazio.

Com dificuldade, consegui me erguer, mas meu corpo, fraco pelos anos de escravidão, não respondia como eu desejava. 

“Shade, me ajude.” sussurrei, sentindo minha loba se agitando dentro de mim, suas patas arranhando minha pele, desejando se libertar, mas as correntes ainda presas a mim não a permitiam assumir o controle. “Tudo bem, nós vamos conseguir.”

Voltei a correr, galhos e arbustos arranhando minha pele pelo caminho, o vento ficando cada vez mais gelado, trazendo o cheiro dos lobos. Olhei ao redor, eu estava cercada.

Um após o outro surgiram entre as árvores. Guerreiros poderosos, liderados por um lobo com olhar penetrante. Aqueles não eram lobos que serviam ao alfa. O lobo maior se adiantou, sua forma lupina dando espaço para o homem surgir. Seus olhos castanhos brilharam na escuridão, me analisando com cuidado.

Não havia como enfrentá-lo. Eu seria facilmente morta se tentasse. A única opção que me restava era tentar fugir, mas, assim que eu me virei, ele já estava sobre mim. Sua mão agarrando minha garganta, pressionando meu corpo contra o chão úmido da floresta. Minhas garras rasgavam sua pele, mas ele parecia nem sentir, apenas se manteve calado, me olhando como se eu não passasse de uma pequena presa.

“Achou mesmo que poderia escapar, loba imunda.” ele disse, cuspindo no meu rosto logo em seguida. O lobo então me ergueu, jogando para os demais lobos, agora todos em suas formas humanas. “ Levem-na.”

Fui brutalmente arrastada, os lobos que me levavam não disseram nada durante o trajeto. Logo chegamos a um acampamento e eu fui jogada a frente, próxima a uma fogueira.

“O que temos aqui?” a foz profunda e tomada de poder ecoou. Meu corpo ficou travado, o peso daquela presença e poder me forçando a manter a minha cabeça baixa. 

“Uma escrava, a encontramos correndo pela floresta, supremo.” dentro de mim, Shade se encolhia, choramingando enquanto eu tentava não me mover. Meus cabelos foram agarrados e minha cabeça erguida. Olhos azuis tão frios quanto gelo estudavam meu rosto.

“Interessante. Vejamos se é digna de viver na minha corte.”

Sigue leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la APP
Explora y lee buenas novelas sin costo
Miles de novelas gratis en BueNovela. ¡Descarga y lee en cualquier momento!
Lee libros gratis en la app
Escanea el código para leer en la APP