Capítulo 6

Aiden

Meu mundo desmoronou no instante em que meus olhos encontraram o corpo de Aurora, imóvel sobre o chão frio, manchado de sangue. Tudo ao meu redor deixou de existir, porque nada mais importava além dela.

Eu não saberia explicar como o vínculo entre nós me levou até aquele lugar. Naquela noite de tempestade, tudo era um caos de confusão. Mas havia uma única certeza: eu a sentia.

De uma forma brutal e inexplicável, eu a sentia... como se fôssemos feitos da mesma essência, como se fôssemos um só.

Carne da minha carne.

Sangue do meu sangue.

Alma da minha alma.

Sim... eu a sentia.

Em meio a toda aquela destruição e desespero, uma força tomou conta de mim. Algo que não parecia ser meu. Talvez divina. Talvez ancestral.

Ela me conduziu até Aurora.

Não sei como me movi, nem como cheguei até ela, mas quando recobrei a consciência, já estava ajoelhado ao seu lado, segurando seu corpo frágil em meus braços. Apoiei delicadamente sua cabeça sobre meu colo, tentando protegê-la do mundo inteiro.

Foi então que senti.

Algo quente e viscoso encharcando minha calça.

Era o sangue dela.

Meu coração começou a bater com tanta força que parecia prestes a romper meu peito e ocupar o lugar do dela, apenas para mantê-la viva.

Lucien, meu lobo, rugia e se debatia dentro de mim. Ele arranhava minha consciência, exigindo que eu me transformasse. Queria ver sua companheira. Queria tocá-la, marcar sua pele com uma mordida delicada, transmitir sua força, sua energia vital.

Ele queria salvá-la... mesmo que isso nos custasse tudo.

Mas eu não permitiria.

Não enquanto ainda tivesse forças para carregá-la.

Com uma determinação que eu nem sabia possuir, ergui Aurora nos braços, disposto a enfrentar o mundo, os deuses... quem quer que fosse necessário para salvá-la.

Foi então que Victor, meu beta, surgiu como um raio de esperança em meio ao inferno.

Em silêncio, agradeci à Deusa da Lua por tê-lo enviado.

— O que aconteceu? — perguntou, visivelmente abalado.

— Alguém tentou matá-la — respondi, com a voz carregada de dor e fúria.

— Não... isso não pode ser verdade... — murmurou, incrédulo.

— EU SEI MUITO BEM O QUE ESTOU DIZENDO! SE EU DISSE QUE ALGUÉM TENTOU MATAR MINHA LUNA, É PORQUE FOI EXATAMENTE ISSO QUE ACONTECEU! — rugi, deixando toda a minha raiva explodir.

Mesmo diante da minha explosão, Victor permaneceu calmo, como sempre.

Ele era minha âncora. Meu irmão de alma em todas as batalhas.

Respirou fundo antes de voltar a falar, e sua voz serena conseguiu me trazer um pouco de lucidez.

— Então... o vínculo não foi rompido. Mas não diga isso em voz alta, Alpha. Você sabe por que tentou rejeitar Aurora. Não coloque a vida dela em risco outra vez.

Fechei os olhos, tomado pelo arrependimento.

— Acho que já coloquei...

Sem perder mais um segundo, levei Aurora de volta ao nosso território, diretamente para o Hospital Blood Mark.

Jamais confiaria a vida dela aos humanos.

Eles ainda não compreendiam totalmente o que somos... quem somos.

E ela precisava de cuidados especiais.

Dos nossos cuidados.

Os dias passaram.

Dias longos.

Dolorosos.

Dias em que a esperança se mantinha presa por um fio.

Cada visita ao quarto do hospital e cada conversa com o Dr. Jacob parecia mais uma lâmina atravessando meu peito.

Ele repetia sempre a mesma coisa.

Aurora estava se agarrando à vida por um fio.

Nunca havia rezado tanto para a Deusa da Lua quanto naqueles dias.

Nunca.

...

— Não entendo por que você está tão desesperado por ela.

A voz irritante de Giovana cortou o silêncio, fria e amarga.

— Você a rejeitou, Aiden. Ela é fraca. Nem sequer tem forças para lutar pela própria vida. Como alguém assim poderia proteger a alcateia?

Lucien se contorceu dentro de mim, consumido pela fúria.

Giovana deveria ter ficado calada.

Todos sabiam que, mesmo após a rejeição, existia algo profundo e inquebrável entre Aurora e eu.

Algo que apenas nós dois éramos capazes de compreender.

Liberei minha autoridade de Alpha.

O peso do meu comando caiu sobre ela como uma tempestade.

Observei enquanto Giovana, contra a própria vontade, baixava a cabeça e expunha o pescoço em total submissão.

Apenas minha Luna está livre dessa obrigação.

Os olhos dela queimavam de ódio.

Mas eu não me importava.

Ela estava ultrapassando todos os limites, tentando ocupar um lugar que jamais lhe pertenceu.

Foi então que Victor apareceu ao meu lado, lançando-lhe um olhar carregado de desprezo.

— Aurora acordou.

Não respondi.

Ignorei a mulher ajoelhada diante de mim, o rosto tomado pela raiva e pela frustração.

Levantei-me da cadeira onde aguardava e passei por ela sem hesitar.

Ela praticamente desabou sob o peso da minha presença.

Mas eu não olhei para trás.

Meu coração tinha apenas uma direção.

Minha Luna.

A única mulher que reconhecerei como minha até o último dia da minha vida.

...

Giovana

— MALDITO SEJA VOCÊ! — gritei, sozinha no corredor vazio, com os olhos ardendo de ódio.

— Você vai pagar, Alpha. Ah, vai pagar muito caro. Seus dias estão contados... e o seu reinado também. Kalel é muito melhor do que você...

Soltei uma risada amarga, carregada de promessas cruéis.

— Isso... continue vivendo na ilusão de que está no controle de tudo. Continue acreditando que ninguém representa uma ameaça para você. É melhor assim.

Quando eu agir, será com força.

Com dor.

E de surpresa.

Vou sorrir enquanto você sangra.

E farei questão de que sua morte seja lenta.

Muito lenta.

Cruzei os braços, sentindo a certeza pulsar em minhas veias.

— Posso esperar, Aiden. Sou paciente. Como dizem... a vingança é um prato que se serve frio.

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