Mundo ficciónIniciar sesiónAurora
Aiden caminhava ao meu lado, seus passos firmes e decididos esmagando o cascalho úmido da trilha. Seu olhar encontrava o meu durante todo o caminho até o refúgio da curandeira. As árvores ao nosso redor nos envolviam em um manto de sombras dançantes, enquanto a névoa serpenteava entre os troncos como dedos pálidos e fantasmagóricos. O ar estava pesado de umidade e carregava algo que eu não conseguia identificar. Era uma sensação que roçava minha pele como um arrepio insistente. Maelis vivia isolada, no coração da floresta, em uma antiga casa de madeira com uma escadaria imponente coberta por heras e musgo, como se a própria natureza tivesse tomado conta daquele lugar. Aiden segurava minha mão durante todo o percurso. Seus dedos quentes entrelaçados aos meus transmitiam uma segurança que eu nem sabia que precisava até aquele momento. — Está tudo bem? — perguntou, mantendo os olhos presos nos meus. A preocupação estava estampada em cada traço do seu rosto. Assenti de leve, embora a fraqueza ainda insistisse em permanecer. Lira continuava inquieta dentro de mim. Sua presença parecia muito mais fraca do que o normal. Era como se alguma coisa estivesse drenando sua força lentamente, e eu sentia cada parte disso refletir no meu próprio corpo. Subimos a escada, e Aiden bateu à porta. — Entrem. A voz de Maelis veio do outro lado. Quando entramos, encontrei a curandeira sentada em uma poltrona de madeira. Seus olhos sábios analisaram cada detalhe antes que ela nos fizesse sinal para entrar. O ambiente era acolhedor. Ervas secas pendiam do teto. Frascos de vidro cheios de líquidos coloridos ocupavam as prateleiras. Velas iluminavam cada canto da pequena casa. O ar carregava o perfume suave de lavanda misturado ao cheiro forte das ervas recém-colhidas. Ela permaneceu me observando em silêncio por alguns instantes antes de se aproximar. — Há alguma coisa pairando sobre você, criança. Sua voz era serena. Profunda. Como se cada palavra carregasse séculos de sabedoria. Olhei para Aiden. Ele apenas apertou minha mão em sinal de apoio. — O que isso significa? — perguntei, percebendo minha voz mais fraca do que pretendia. Maelis respirou fundo. — Ainda não tenho certeza. Mas sinto uma energia negativa ao seu redor. Ela me conduziu até uma poltrona confortável e começou a me examinar. Observou meus pulsos. Meus olhos. Meu rosto. Depois pegou um pequeno frasco contendo um líquido esverdeado e translúcido. Estendeu-o para mim. — Beba. Obedeci. O gosto era amargo. Quase insuportável. Mesmo assim, engoli tudo. Poucos segundos depois, uma sensação de calor agradável começou a percorrer minhas veias. Maelis preparou outro frasco e o entregou a Aiden. — Uma dose por dia. Sem falhar. Isso vai fortalecer o vínculo dela com sua loba e purificar o corpo de qualquer resquício de magia negativa. Aiden assentiu, guardando cuidadosamente o frasco. Depois me ajudou a levantar. Antes que saíssemos, Maelis aproximou-se novamente. Colocou a mão fria sobre minha testa. — Que a Deusa da Lua guie seus passos, criança. Então seus olhos encontraram os de Aiden. Por um breve instante... Percebi algo diferente em seu olhar. Um respeito profundo. Quase reverente. Ela fez uma oração silenciosa antes de nos deixar partir. A viagem de volta ao castelo foi rápida. Eu já me sentia muito melhor. A poção de Maelis havia feito efeito depressa. O calor voltou ao meu corpo. Aquele cansaço sufocante parecia desaparecer pouco a pouco. Aiden me levou até seu quarto. Aquilo aconteceu de forma tão natural que nem estranhei. Depois da marca, nenhum dos dois queria mais ficar longe do outro. Seu rosto ainda demonstrava preocupação. Mas havia um brilho diferente em seus olhos. Um brilho que antes não existia. — Você está com uma aparência melhor — comentou, fechando a porta atrás de nós. Sorri. — Eu me sinto melhor. Sentei-me na beirada da cama. A maciez dos lençóis trouxe uma sensação de conforto, e meus olhos voltaram a encontrar os dele. Aiden aproximou-se devagar. Parou diante de mim. As mãos estavam nos bolsos, mas seu olhar percorria meu rosto com tanta intensidade que minha respiração vacilou. — Aurora... Sua voz saiu baixa. Carregada de emoção. — Sim? Quase um sussurro. Ele hesitou por um instante. Então se ajoelhou diante de mim. Suas mãos quentes repousaram delicadamente sobre meus joelhos. — Eu quase perdi você... Respirou fundo. — Eu senti isso. Parecia que algo muito maior estava acontecendo. Algo que Maelis não quis me contar. Mas eu senti. Lucien também. Suas palavras eram sinceras. Profundas. E partiram meu coração. Sem dizer nada, levei uma das mãos até seus cabelos. Aproximei seu rosto do meu. Nossos lábios finalmente se encontraram em um beijo lento e cheio de significado. Não havia pressa. Apenas carinho. Alívio. E a certeza silenciosa de que pertencíamos um ao outro. Enquanto a madrugada avançava, permanecemos abraçados, trocando beijos, carícias e promessas silenciosas. A luz da lua atravessava as janelas, iluminando o quarto com um brilho prateado. E, pela primeira vez em muito tempo... Eu senti que estava exatamente onde deveria estar.






