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CAPÍTULO 5 – O HOMEM E A FERA

Eduardo

Abri a porta devagar, tentando não assustá-la. O cheiro dela me atingiu primeiro — doce, lunar, misturado ao meu próprio perfume marcante. Meu corpo inteiro reagiu. A fera dentro de mim ronronou e rosnou ao mesmo tempo.

Ela estava acordada.

Sentada na cama com dificuldade, o lençol apertado contra o peito. Seus olhos — grandes, castanhos e cheios de pavor — se fixaram em mim no instante em que entrei. Por um segundo, o ar pareceu carregado de eletricidade. Uma conexão forte, quase dolorosa, pulsou entre nós.

“Minha Luna.”

Ela tentou falar, mas só saiu um sussurro rouco e dolorido. O corte no pescoço ainda estava visível, embora já tivesse fechado muito mais do que deveria para uma humana comum. Minha saliva Lycan estava fazendo efeito.

— Não… tente falar — murmurei, mantendo distância. — Seu pescoço ainda está se curando.

Ela sacudiu a cabeça com medo, os olhos arregalados. Seu corpo tremia. Mesmo assim, havia algo mais ali. Uma atração confusa, quase relutante. Ela sentia. Assim como eu.

Dei um passo mais perto. Ela recuou contra a cabeceira da cama.

Com gestos desesperados, ela apontou para o canto vazio do quarto e depois para si mesma, repetindo o movimento. Mochila. Documentos. Tudo.

— Você acha que foi um ladrão… — falei baixo, a voz rouca. — Que ele só quis roubar suas coisas.

Ela assentiu rapidamente, lágrimas já se acumulando nos olhos.

Meu maxilar travou. A fera se agitou violentamente dentro de mim, arranhando minhas costelas, exigindo sangue. Meus dentes cresceram um pouco nas gengivas. Eu conseguia sentir o cheiro dele nela. Cheiro de suor masculino, de excitação forçada, de sêmen. O odor impregnado em sua pele, mesmo depois de eu ter limpado parte dos ferimentos.

Ela não era mais pura.

E isso me destruía por dentro.

— Não foi só um ladrão — disse, a voz mais grave do que pretendia. — Ele te violentou.

As palavras saíram pesadas. No mesmo instante, o corpo dela enrijeceu. Lágrimas grossas escorreram pelo seu rosto pálido. Ela abraçou os joelhos contra o peito, tremendo, como se quisesse desaparecer.

A fera rugiu tão alto dentro da minha cabeça que quase me fez perder o controle. *Sangue. Rasgar. Destruir.* Queria caçar aquele desgraçado agora mesmo e fazê-lo sofrer por horas.

Mas ela precisava de mim aqui.

Dei mais um passo. Ela tentou se afastar, erguendo as mãos fracas para me impedir, em pânico. Seu cheiro de medo misturado ao desejo lunar quase me enlouqueceu.

Rosnei baixo — um som grave, mas suave — e me inclinei devagar sobre ela. Meu rosto ficou perto do seu ouvido. Inspirei profundamente seu perfume, lutando contra todos os meus instintos.

— Calma, minha pequena… — sussurrei, a voz rouca e protetora. — Eu não vou te machucar. Nunca faria isso a uma mulher. Muito menos a você.

Ela parou de se debater, mas continuou tremendo. Seus olhos encontraram os meus novamente. Havia terror, sim. Mas também confusão. Reconhecimento.

— Eu te salvei naquela noite — continuei, quase colado ao seu ouvido. — Agora preciso ter certeza de que você está bem. Não posso te deixar aqui sozinha.

Ela me encarou, ainda sem conseguir falar direito. Seus lábios se moveram, formando um “por quê?” silencioso.

Não respondi com palavras. Apenas estendi a mão lentamente e toquei seu rosto com as costas dos dedos. Ela fechou os olhos por um segundo, como se meu toque queimasse e acalmasse ao mesmo tempo.

— Você vem comigo para a minha casa. Lá terá segurança, comida, roupas limpas e um médico discreto. Ninguém vai te machucar de novo. Eu juro.

Quando me aproximei para pegá-la no colo, ela tentou lutar mais uma vez, fraca, desesperada. Segurei seus pulsos com cuidado, sem força, e a puxei gentilmente contra meu peito.

— Shhh… confie em mim. Só desta vez.

Seu corpo, mesmo resistindo, encaixou-se perfeitamente no meu. A fera suspirou de alívio. Eu, o homem, senti meu coração apertar de um jeito que nunca havia sentido antes.

Enquanto a carregava para fora da cabana em direção ao jipe, uma única certeza ecoava dentro de mim:

Minha vida organizada, meu noivado, minhas tradições… tudo estava prestes a desmoronar.

E eu não me importava mais.

Porque ela era minha Luna.

E eu acabara de trazê-la para dentro do meu mundo.

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