Lena Aris
O silêncio na cobertura era tão denso quanto o peso do corpo dele sobre o meu minutos atrás. A chuva, agora em um ritmo melancólico contra o vidro, era o único som que preenchia o vazio, enquanto nossas respirações tentavam redescobrir um compasso humano. Meu corpo latejava. A pele da nuca queimava e a clavícula doía, marcada pelos dentes dele como um selo de propriedade. O mármore frio ainda parecia tatuado em minhas costas, um contraste brutal com o calor do cetim preto onde eu agora flutuava.
— Ninguém mais toca em você. Você é minha, MINHA! — As palavras dele ecoavam, carregadas de uma possessividade visceral. Para qualquer outra mulher, soaria como proteção. Para mim, soava como uma sentença de prisão.
Não respondi. Deslizei para fora debaixo dele com um movimento fluido, lutando para ignorar o tremor persistente nas minhas coxas. O ar gelado do quarto colidiu com a minha pele úmida, um choque necessário para resgatar minha sanidade. Sentei-me na borda da cama, de costa