Simon Kaelen
Era só mais um dia na Thorne, o mesmo ritual, as mesmas paredes frias, a mesma guerra silenciosa que eu travava lendo relatórios, analisando brechas, tentando encontrar uma saída para o caos que herdara. Dante estava ao meu lado, como sempre. Fiel escudeiro.
Seu telefone tocou.
— Senhor Alexandre, como posso… — começou, mas sua frase morreu no meio. Isso já foi suficiente para captar minha atenção. Dante não costuma hesitar.
Ergui os olhos, observando-o. Ele se manteve imóvel, o celular colado ao ouvido, a expressão neutra… mas os olhos? Olhos entregam tudo. Os dele estavam fixos em mim.
— Da parte dela? — ele repetiu, com aquela calma que irritava. Silêncio depois. Muito silêncio.
— Certo… passarei para ele. Mas… qual é o nome da advogada? — Dante franziu o cenho, finalmente deixando escapar uma fissura na postura. — Como assim a senhora Kaelen possui uma advogada que não é da família?
Meu pai falava do outro lado. Eu senti o estômago contrair.
Dante encerrou a ligação c