Bianca acenou, engolindo em seco.
Enquanto subia as escadas, sentiu o peso do lugar a esmagá-la. Cada passo parecia retirar-lhe uma camada de orgulho. Ao entrar no quarto, frio, impessoal, quase vazio, deixou finalmente cair a mala no chão.
A porta fechou-se atrás dela com um som seco.
Bianca sentou-se na beira da cama e passou as mãos pelo rosto.
— Isto não vai durar — murmurou para si mesma, erguendo o queixo. — Eu não fui feita para ser descartada.
Do outro lado da porta, os tios conversavam em voz baixa.
— Achas que ela vai dar problemas? — perguntou Margaux.
— Acredito que sim — respondeu Laurent. — Mas enquanto o dinheiro cair na conta… podemos tolerar.
Bianca ouviu apenas fragmentos. O suficiente.
E nesse instante, algo mudou.
Se antes queria vingança por amor, agora queria sobrevivência.
E poder.
E prometeu a si mesma: nunca mais seria a mulher fraca à mercê da vontade alheia.
Nem aqui.
Nem em lugar nenhum.
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Quando foi chamada para o jantar, o choque foi ainda maior. A mesa