— Mas ele desapareceu… — murmurou Bianca, ainda incrédula, como se o nome de Ronan tivesse aberto uma ferida antiga que nunca cicatrizara verdadeiramente.
Helena pousou o copo de vinho com calma excessiva, o som do cristal a ecoar na sala silenciosa.
— Porque eu tratei disso — respondeu, sem um pingo de remorso. — Fui muito clara com ele. Ou afastava-se da Darya… ou não viveria para contar a história.
Bianca arregalou os olhos.
— Tu ameaçaste-o?
Helena virou-se lentamente, o olhar frio, quase pedagógico.
— Não dramatizes. — Endireitou os ombros. — Eu protegi os nossos interesses. É isso que mulheres inteligentes fazem quando os homens começam a tornar-se obstáculos. E ele fez exactamente o que eu esperava.
Bianca engoliu em seco, sentindo um misto de desconforto e admiração.
— E agora… — hesitou — …vais trazê-lo de volta?
Helena caminhou até à janela, observando a noite como se estivesse a reorganizar mentalmente cada peça do tabuleiro.
— Não exactamente “trazê-lo” — disse, pensativa.