Bianca desligou o telemóvel, os dedos ainda a tremerem ligeiramente. Durante alguns segundos, ficou imóvel, sentada na beira da cama, como se o simples ato de respirar exigisse um esforço consciente. O silêncio do quarto era opressivo, pesado, quase violento. Não havia música, nem vozes, nem o conforto falso de uma casa que fingisse acolhê-la. Apenas ela. Sozinha.
Levantou-se devagar e aproximou-se do espelho. A mulher que a encarava de volta ainda usava roupas de luxo, o cabelo perfeitamente arranjado, a postura treinada para nunca parecer pequena. Mas por trás daquela imagem impecável, havia algo novo, vulnerabilidade. E, mais perigoso ainda, consciência.
— Então é isto — murmurou para o próprio reflexo. — É assim que se cai.
O jantar, a humilhação, a frieza dos tios, a ligação com o pai… tudo se encaixava agora como peças de um jogo cruel que ela sempre acreditara controlar. Pela primeira vez, Bianca compreendia algo que Darya sempre soubera: naquela família, valor vinha apenas da