O caminho até à mansão Mancini atravessava uma zona tranquila, ladeada por árvores altas que projectavam sombras longas sobre o asfalto. Dentro do carro, porém, o silêncio parecia uma bolha isolada do mundo, não pesada, não desconfortável, mas cálida, quase protectora.
Darya recostou a cabeça no vidro frio, a observar as luzes da cidade transformarem-se em manchas trémulas que pareciam fugir para trás. O som do motor era suave, constante, e por um instante ela desejou que o trajecto nunca terminasse; que pudesse ficar ali, naquele limbo entre o antes e o depois, onde nada precisava ser enfrentado.
Mas a mente não se aquietava.
Aquele sábado tinha sido um turbilhão.
Um golpe atrás do outro.
E todos dados pelo mesmo homem.
A declaração de Matteo.
O beijo inesperado.
A forma quase devota como ele falava dela, como se ela fosse a âncora que o tinha mantido vivo nos últimos seis anos.
E a guerra silenciosa com Bianca, marcada por palavras que ainda ressoavam na memória de Darya.
Era demasi