Bianca estava sentada no balcão do bar pela terceira hora consecutiva, embora a sua noção de tempo estivesse distorcida desde o momento em que abandonara o apartamento de Matteo. O bar não era particularmente luxuoso, certamente não frequentado pela elite que costumava rodeá-la, mas tinha o que ela precisava: luz baixa, música abafada, e álcool suficientemente forte para tentar calar a dor que insistia em pulsar no peito.
O copo de uísque encontrava-se entre os seus dedos delicados, as unhas perfeitamente pintadas contrastando com o âmbar escuro que se agitava levemente cada vez que a sua mão tremia. Bianca olhou para o líquido como quem encara um espelho distorcido, aquilo que esperava ver, aquilo que achava ser e aquilo que realmente era misturavam-se numa névoa desconfortável.
Bebeu tudo de uma vez, num gesto brusco, quase agressivo consigo própria. O ardor queimou-lhe a garganta, mas não o suficiente para a distrair da sensação opressora que se instalara dentro dela.
Fez sinal a