CAPÍTULO 114
Quando o silêncio educado não serve mais de escudo.
Ventresca caminhava em círculos pela sala de reuniões, batendo a palma da mão contra a mesa de vidro como se quisesse quebrar o silêncio. Os vidros espelhados do prédio refletiam sua própria ansiedade. Não havia secretária para acalmá-lo, nem assistente para correr atrás de um advogado. Só ele, isolado como um peixe em aquário.
Marcello Ventresca — Vice-presidente do conselho, 5,2%. Agora era o novo alvo do Bastien.
Na sala subterrânea, Caio observava cada movimento. O olhar dele estava gelado, mas a respiração pesada denunciava a fúria contida.
— Esse sempre foi o que sorria mais fácil… — comentou, quase para si mesmo. — Mas é o que tem o hálito mais podre.
Lucas, com os dedos ágeis no teclado, começou a projetar nas telas laterais uma série de documentos: contratos adulterados, transferências bancárias, offshores em Luxemburgo.
— Achamos o veneno, irmão. — disse, inclinando-se para trás. — Agora é só enfiar pela garg