A noite caía sobre Pindamonhangaba envolta numa névoa fina, quase fantasmagórica.
O vento passava pelas frestas do apartamento, trazendo cheiro de chuva, café frio e lembranças que Máximo Sforza já não conseguia controlar.
O relógio na parede era um insulto. Os ponteiros se moviam devagar demais, como se o tempo estivesse zombando dele.
Ele tentava trabalhar, mas cada número no computador derretia em memórias que ele preferia enterrar.
O celular vibrou. Lucas.
— Fala… Atendeu, impaciente.
— Encontrei a enfermeira. Disse o amigo, num tom cansado. — Ela ainda trabalha no hospital em Monte Verde. E… Max, você vai querer ouvir isso sentado.
Máximo sentiu o estômago contrair. — Diz. Lucas respirou fundo… o tipo de respiração que vem antes de um impacto.
— Ela se lembrava da mulher. Disse que ela foi encaminhada por um hospital de pequeno porte de Santo Antônio do Pinhal, cidade próxima a Campos do Jordão. Com ferimentos graves nos braços e nas pernas. Hematomas no rosto. Estava em coma… e