A Casa de Apoio Santa Luzia sempre teve cheiro de bolo simples e esperança remendada.
O tipo de lugar que abraça gente quebrada, mesmo quando não sabe como colar os pedaços.
Foi assim que Marlene começou a observar a protegida do seu amigo. Tiago a trouxe e a deixou ali para se recuperar, mas a moça parecia esconder algo, e Marlene não gostava de correr riscos desnecessários.
A garota estava sentada no sofá, encolhida, com as mãos presas entre os joelhos, como quem tenta segurar o próprio coração, para ele não fugir. O olhar… ah, o olhar era de quem havia atravessado um incêndio e ainda caminhava entre as cinzas.
Marlene entrou com uma caneca de café fumegante.
E quem conhece Marlene sabe: ela não serve café sem intenções.
Café na casa dela é interrogatório, mas com calma, não queria assustar a moça, só queria respostas.
— Você parece alguém que tenta se esconder, mas esqueceu de apagar as pegadas. Disse, entregando a caneca.
Tina arregalou os olhos, nervosa.
— Eu… não sou ninguém imp