O terceiro e último dia da Festa das Raízes amanheceu com cheiro de chão molhado.
A chuva tinha caído fina durante a madrugada, lavando o pó, o sangue seco da tensão, e talvez até umas mágoas antigas. Agora o sol batia firme nas telhas, secando a roupa no varal e aquecendo o peito do morro como um abraço de mãe. Era dia de celebrar. De respirar fundo e sorrir sem medo.
Na quadra da ONG, a criançada já esperava ansiosa. Pés descalços, olhos brilhando, luvas de boxe nas mãos pequenas. Hoje era