Londres não era nada parecida com a névoa úmida e familiar de São Paulo. Aqui, o frio tinha dentes. Ele mordia através do meu cardigã — agora uma peça gasta que eu insistia em usar como se fosse um talismã — e se instalava nos meus ossos, lembrando-me a cada segundo de que eu estava a milhares de quilômetros da única pessoa que fazia meu mundo ter cor.
Eu estava sentada em um banco de madeira úmida no Hyde Park, observando os patos deslizarem pela superfície cinzenta do Serpentine. Fazia tr