Rafael
O ar dentro da sala de audiências era rarefeito, carregado com o cheiro de papel antigo e o peso institucional da justiça. Eu sentia cada batida do meu coração como um eco surdo nas têmporas. Ao meu lado, Eduardo ajustava os óculos, a expressão de uma calma absoluta que eu sabia ser sua fachada de combate. Isadora estava logo atrás, sentada na primeira fileira de bancos de madeira. Eu não precisava olhar para saber que ela estava pálida; eu sentia a preocupação dela emanando como uma frequência constante, tentando equilibrar a minha própria agressividade contida.
Do outro lado da mesa, Lívia exibia uma postura de vítima imaculada. Usava um vestido sóbrio, maquiagem leve e uma expressão de tristeza estudada. Seu advogado, um homem que parecia acreditar genuinamente na encenação da cliente, revisava as notas com um sorriso presunçoso. Eles achavam que tinham o controle. Eles achavam que o "direito sagrado da mãe" seria o suficiente para me dobrar.
— Todos de pé — anunciou o of