Isadora
O dia seguinte ao veredito amanheceu com uma luz diferente. Não era exatamente sol, nem alegria — era uma espécie de trégua. Como se o mundo tivesse decidido respirar depois de dias em apneia.
Acordei antes do despertador, ainda deitada, observando o teto do quarto que eu já conhecia tão bem. Rafael dormia ao meu lado, de costas, o braço jogado para fora da cama, como se tivesse finalmente relaxado depois de uma guerra longa demais. Desde que tudo começou, o corpo dele parecia menos tenso, menos em alerta.
Sofia ainda dormia. A casa estava silenciosa, e esse silêncio não doía.
Levantei-me devagar, caminhei até a janela e abri as cortinas. São Paulo estava cinza, como sempre, mas havia movimento, vida seguindo. Pensei em Brasília, nos dias de céu aberto, na sensação de estar inteira de novo. Não perfeita. Inteira.
Eu não tinha todas as respostas — longe disso — mas algo dentro de mim estava mais firme. A ameaça mais urgente havia passado. Sofia estava segura. Rafael… estav