Isadora
Acordei com a sensação de que o mundo, estava no eixo. A luz da manhã filtrava-se pelas cortinas de linho, criando desenhos de sombra e ouro sobre o lençol bagunçado. O peso do corpo de Rafael ao meu lado era uma âncora de realidade que eu não queria soltar.
Antes mesmo de trocarmos a primeira palavra, a paixão da noite anterior nos encontrou novamente. Foi mais lento agora, uma descoberta preguiçosa e profunda sob o calor das cobertas, como se estivéssemos selando um pacto silencioso de que, naquele quarto, as regras do mundo lá fora não entravam.
Quando finalmente consegui me levantar e ir ao banheiro, senti meu corpo leve, embora marcado pelo toque dele. Ao sair, enrolada no roupão, fui recebida por uma visão que me fez parar na porta: Rafael estava sentado na cama, cercado por bandejas de café da manhã que ele mesmo trouxera. Havia frutas, pães quentes e o cheiro inconfundível de café fresco.
— Você preparou tudo isso? — perguntei, sorrindo, sentando-me de frente para