Isadora
Minha cabeça ainda estava em cacos. A luz filtrada pelas cortinas da casa de hóspedes parecia uma agressão. Eu não saí da cama o dia todo. O cheiro da camiseta de Rafael e a certeza de que ele havia me despido e dado banho eram humilhações constantes que a amnésia não conseguia apagar totalmente.
Eu repassei cada fragmento de memória quebrado: o riso na boate, a náusea súbita, o corpo pesado. Eu estava acabada, e o pior de tudo, devia minha dignidade (ou o que restava dela) ao homem q