Rafael
O amanhecer não me trouxe alívio. Só me trouxe a lembrança irritante do que vi pela janela do meu quarto às duas da manhã. O Porsche de Eduardo parando, os dois na porta da casa de hóspedes, e aquele beijo.
Eduardo não tinha o direito. Eu me senti roubado, e a possessividade era um veneno amargo.
Desci para o café da manhã. Estava bravo, sem paciência e pronto para descontar em quem ousasse falar.
Sofia tagarelava sobre os balões da festa. Eduardo, sentado à mesa, parecia diferente demais, com um sorriso fácil e um brilho nos olhos que me diziam tudo que eu precisava saber sobre a noite dele. Eu estava calado, bebendo café forte.
— Rafael, a propósito — Eduardo começou, com um tom profissional demais para o café da manhã. — Revisei a cláusula sobre os contratos de longo prazo. Você usou a jurisprudência de 2018?
Fui curto e grosso.
— Usei o que era necessário. Está resolvido.
— Mas juridicamente—
— Está resolvido, Eduardo.
Foi quando Isadora apareceu. Ela us