Isadora
O despertar veio em ondas de dor latejante. Minha cabeça era um tambor sendo golpeado sem piedade, e a luz fraca que invadia o ambiente parecia mil vezes mais brilhante. Eu sentia um peso, uma pressão, e um cheiro... familiar demais. Um cheiro de vetiver, sândalo e pele quente.
Abri os olhos apenas o suficiente para reconhecer o teto. Não era o gesso simples da casa de hóspedes. Era alto, com molduras trabalhadas. O ar gelou em meus pulmões.
Eu gelei.
Meus músculos ficaram tensos sob o cobertor. Eu estava em uma cama grande, macia, e havia um corpo ao meu lado, eu estava abraçada com alguém.
Não precisei de visão completa para saber quem era. Era ele. A única pessoa na mansão com o cheiro de domínio e cinismo.
Fechei os olhos abruptamente, fingindo a profundidade do sono. Eu precisava de um plano de fuga, e precisava dele agora, aos poucos minhas mãos deslizaram pelo abdômen descoberto. Confesso que tirei uma casquinha, era bom demais pra ser verdade.
Lentamente, com a