A primeira decisão oficial veio antes do almoço.
Não foi anunciada.
Não foi discutida em conjunto.
Simplesmente aconteceu.
Eu descobri quando Lorenzo entrou na sala com o telefone ainda na mão e disse, como quem comenta o clima:
— Vamos sair hoje à tarde.
Levantei os olhos devagar.
— Para onde?
— Entrevista — respondeu. — Não ao vivo. Gravada.
Aurora estava sentada no chão, empilhando blocos. Parou no meio do movimento.
— Entrevista de quem? — perguntei.
— Minha — respondeu ele. — Mas você estará presente.
A frase não veio como pedido.
Veio como informação.
— Isso não estava combinado — disse.
— Eu sei.
— Então por que—
— Porque o leilão criou uma narrativa que precisa ser conduzida — interrompeu. — Se não fizermos isso, alguém fará por nós.
Aurora derrubou a torre de blocos. O barulho foi seco, abrupto.
Ela não tentou reconstruir.
Apenas empurrou as peças para longe.
— Você está decidindo coisas que me envolvem sem me consultar — falei.
Lorenzo me encarou com atenção calculada.
— Est