A calmaria nunca durou muito naquela casa.
Mas, naquela manhã, ela parecia falsa desde o início.
A mansão acordou antes de mim. Não pelo som, mas pela movimentação contida. Passos mais frequentes no corredor. Portas sendo abertas e fechadas com cuidado excessivo. Vozes baixas demais para serem normais.
Levantei com a sensação de que algo já tinha começado sem mim.
Do quarto, vi dois carros estacionados além do portão principal. Não eram da imprensa comum. Não havia logotipos. Não havia câmeras evidentes.
E isso me preocupou mais.
Quando desci, Lorenzo estava em pé na sala, o telefone encostado ao ouvido, o corpo tenso de uma forma que eu ainda não tinha visto. Não era frieza. Era contenção.
Aurora estava sentada no chão, com um quebra-cabeça incompleto diante dela. As peças espalhadas pareciam abandonadas no meio do caminho.
Ela não brincava.
Esperava.
— Não — disse Lorenzo, firme. — Isso não está em negociação.
Fez uma pausa.
— Vocês estão confundindo acesso com direito.
Outra pausa.