EDUARDO
A noite está densa. O silêncio lá fora não é normal — é tenso, carregado, como se o próprio ar soubesse o que está por vir.
Carlos chega com dois seguranças armados. Um deles se posiciona no quintal, o outro na frente da casa. Eu os conheço de outros tempos. Homens frios, calculistas, e isso me dá alguma segurança.
— Você acha que ele vai tentar alguma coisa hoje? — Carlos pergunta, discreto.
— Não acho. Eu tenho certeza.
Ele assente, e então me entrega um pequeno ponto eletrônico.
— Se