EDUARDO
O saguão da delegacia parecia mais frio naquela manhã. Não era o ar-condicionado. Era o clima. O peso invisível de estar do lado errado da verdade, ainda que inocente.
Assinei a intimação com a mesma mão que tremia de raiva contida. Meus dedos pressionavam a caneta com tanta força que a tinta falhou. Ao meu lado, Sofia apertava minha mão. Forte. Firme. Como se dissesse sem uma palavra: não solta agora, por favor. E eu não soltei. Porque se soltasse, não seria só da mão dela. Seria de mi