Anny
Às vezes eu achava que a mansão tinha mudado de cor. Não era a parede, nem o tapete. Era o jeito como o Samuel andava pelos corredores. Antes, ele parecia dono de tudo, hoje parecia alguém que brigava com todo mundo pra conseguir ficar em paz comigo e com o Andryel.
Ver ele se levantar em reunião, bater de frente com pai, conselho, advogado caro, tudo por causa de nós dois, mexia com um lugar em mim que eu nem sabia que existia.
Mesmo assim, o trauma não soltava fácil. Cada vez que o elevador demorava a chegar, cada vez que alguém falava meu nome mais alto, eu ainda esperava o próximo golpe.
Foi no meio disso que a vida decidiu lembrar a gente de uma coisa simples: filho fica doente.
Era de madrugada quando ouvi o som diferente. Não era choro de fome, nem de fralda suja. Era um gemido manhoso, pesado, que eu nunca tinha escutado do meu filho.
Levantei na hora. Toquei a testa do Andryel. Quente. Quente demais. O coração disparou.
— Não… não… — sussurrei, mais pra mim. — Calma,