Quando Natan acordou, o primeiro impacto foi físico.
O corpo quente ao lado do dele. A respiração tranquila, profunda, alheia ao turbilhão que se acumulava dentro dele. Ana dormia de lado, os cabelos espalhados pelo travesseiro, a pele ainda marcada pelo calor da noite. Havia algo estranhamente satisfatório naquela visão, uma sensação densa, silenciosa, que não vinha acompanhada de culpa imediata, mas de uma inquietação que crescia devagar.
Ele permaneceu imóvel por alguns segundos, atento às próprias reações.
O desejo ainda estava ali. Vivo. Incômodo. A memória do corpo dela não havia se dissipado com o cansaço, nem com o tempo curto de sono. Pelo contrário. A proximidade, agora sem defesas, tornava tudo mais perigoso. Sabia que bastaria um movimento mínimo, um toque, um beijo, um sussurro, para que tudo recomeçasse.
E essa constatação o alarmou.
Ficar ali significava ceder. Acordá-la seria fácil demais. Natural até. Mas também significaria abandonar qualquer tentativa de contro