Ele começou a se afastar quase no mesmo instante em que a realidade o alcançou.
Foi um movimento instintivo, como se o próprio corpo soubesse que precisava criar espaço antes que o estrago fosse maior. As mãos dele ainda tremiam quando tentou se erguer, o peito pesado, a respiração curta demais para alguém que sempre controlou tudo.
Não conseguiu.
Os dedos dela se fecharam em seus ombros.
Não foi força. Foi desespero.
— E-eu… — a voz de Ana saiu quebrada, fragmentada antes mesmo de virar palavra. Ela engasgou no próprio fôlego, como se o ar tivesse ficado denso demais. — Eu… por favor… não… não me rejeita de novo…
A frase o atravessou como um golpe seco.
Rejeitar?
O corpo dele travou.
Por que aquela palavra?
O que nela fazia Ana associar limite à rejeição? Onde, em que momento da vida, alguém a ensinou que ser interrompida significava ser descartada?
— Ana… — ele disse baixo, com cuidado, como se qualquer tom mais firme pudesse quebrá-la. — Acho que… acho que dev