A sala estava cheia de vozes quando Ana voltou.
Não era barulho desorganizado, era presença. Gente espalhada pelos sofás, comentários que começavam em um canto e terminavam em outro, risadas sem contexto. Kali passava de colo em colo, encantando todos sem esforço, como se aquele espaço fosse naturalmente dela.
Helena sentava-se no sofá maior, observando tudo com satisfação evidente. O marido, próximo à janela, comentava algo sobre como a casa parecia diferente com aquela movimentação.
— Faz tempo que não vejo essa sala assim — ele disse. — Está até mais… viva.
— Criança faz isso — Helena respondeu. — Preenche o mundo inteiro sem pedir licença.
Lucas estava no chão, com Kali no colo, balançando-a de leve enquanto fazia caretas exageradas. Catarina observava rindo, já com uma taça de vinho na mão.
— Se você derrubar essa criança, eu nunca vou te perdoar — ela avisou.
— Eu? — Lucas fingiu indignação. — Sou um profissional.
Kali riu alto. Um tempo depois, viu Ana.
Os braços se es