Capítulo 40 — Linhas Cruzadas

Ana ainda sentia o gosto metálico do desconforto quando se afastou da sala. O corredor estava mais silencioso do que deveria, como se a casa tivesse absorvido o excesso de vozes e risadas e agora respirasse em suspensão. Ela caminhava com passos contidos, tentando reorganizar os pensamentos, quando estendeu a mão para abrir a porta do quarto.

Não conseguiu.

A força veio de lado, inesperada. Um puxão firme no braço a fez girar, o corpo desequilibrando por um segundo antes de ser conduzido, não, arrastado, até a porta seguinte. Natan abriu-a sem hesitação e praticamente a empurrou para dentro, fechando atrás deles com um gesto seco.

— O que você está fazendo? — Ana protestou, a voz subindo um tom apesar de tentar manter o controle. — Me solta!

Ele a largou no mesmo instante. Nenhuma excitação, nenhuma pressa além do necessário. Apenas distância.

O quarto estava em penumbra. A luz baixa desenhava sombras duras no rosto de Natan, acentuando o que havia de mais impenetrável nele.
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