Ana atravessou a lateral da casa no horário exato.
O jardim externo era amplo e silencioso, separado da rua por um muro alto e bem cuidado. Do lado de fora, Tomás caminhava de um lado para o outro, inquieto, como alguém que não sabia se ainda tinha o direito de estar ali.
Ela parou a uma distância segura, sem se aproximar demais.
— Fala comigo — ele disse imediatamente. — Só me diz onde você estava. Por que você desapareceu desse jeito?
Ana manteve o tom baixo.
— Eu fui embora porque ficar significava aceitar menos do que eu merecia, Tomás.
Ele piscou, desconcertado pela clareza.
— Eu errei, eu sei — disse, passando a mão pelo cabelo. — Mas tentei consertar as coisas.
— Consertar como? — ela interrompeu. — Vindo atrás de mim sem ser convidado?
— Você não me deu chance.
Ana respirou fundo, controlada.
— Você teve chance quando eu confiei em você.
Ele abriu a boca, fechou, procurando um argumento que não soasse tão fraco quanto parecia.
— Eu te amava — disse, p