ABEL ARRUDA
O rastro do perfume caro de Beatriz ainda pairava no corredor como um aviso de tempestade. Eu a encontrei em seu quarto, jogando uma bolsa de grife sobre a cama com uma violência que denunciava seu estado de nervos. Ela se virou para mim, os olhos faiscando.
— Veio me dar sermão também, Abel? Ou veio defender sua "namorada de tatame"? — Ela cuspiu as palavras, a voz carregada de um veneno que só os Arruda sabiam destilar.
Fechei a porta atrás de mim e encostei-me nela, cruzando os